A sua família não deveria ter que resolver tudo num momento de dor. Organizar a sucessão em vida evita o inventário, mantém o controle nas suas mãos e, em boa parte dos casos, reduz a carga tributária sobre o que você já construiu.
São os cenários mais frequentes entre quem procura o escritório. Nenhum deles é um erro, são situações que apenas ainda não foram organizadas.
No início de 2026 foi publicada a lei que estabelece as novas regras nacionais do ITCMD, o imposto sobre herança e doação. Os estados têm até o fim de 2026 para adaptar suas leis, e as mudanças passam a valer em 1º de janeiro de 2027.
Estados que hoje cobram alíquota fixa, como São Paulo (4%) e Minas Gerais (5%), terão que escalonar a alíquota conforme o valor transferido, até o teto de 8%.
O ponto mais relevante e menos comentado: quotas de holding deixam de ser avaliadas pelo valor contábil. Uma estrutura com patrimônio contábil de R$ 10 milhões e imóveis que valem R$ 30 milhões passa a ser tributada sobre os R$ 30 milhões.
Dividir uma transferência grande em doações menores ao longo dos anos deixa de reduzir o imposto.
Não é uma questão de alíquota apenas: é o valor sobre o qual ela incide que muda. O mercado já reagiu, com 185.861 escrituras de doação em 2025 no Brasil, 59% a mais que em 2020.
Isso não significa que toda família precise agir agora. Significa que a conta de quem organizar depois tende a ser diferente da conta de quem organizar antes, e essa diferença é exatamente o que a análise calcula para o seu caso.
Quase todo mundo que chega ao escritório já tentou organizar a sucessão de alguma forma. Os quatro caminhos mais comuns têm o mesmo problema: tratam a estrutura como fim, quando ela deveria ser consequência de um planejamento.
O bem sai do seu controle e entra na vida deles: casamento, dívida, processo. Qualquer decisão futura sobre aquele bem passa a depender da assinatura de quem recebeu.
Mesmo efeito da doação direta: o patrimônio é juridicamente deles antes da hora, exposto aos riscos da vida deles, não da sua.
Muda o quadro societário, não muda a sucessão. Sem planejamento por trás, o inventário acontece igual.
Um CNPJ sem planejamento dentro não evita inventário. Só gera custo de manutenção e uma falsa sensação de proteção.
Nenhum desses caminhos é errado por má intenção. Eles falham porque a estrutura veio antes da análise. Cada família precisa de um desenho próprio.
Se um dos dois faltar, metade de tudo, inclusive do que você considera seu, entra no inventário.
A maioria dos casais só descobre isso dentro de um.
Somando ITCMD, honorários e custas. Em um patrimônio de R$ 3 milhões, isso significa entre R$ 300 e 600 mil, pagos pela família, no pior momento, em dinheiro que normalmente não está disponível.
Um inventário judicial se arrasta por anos. Nesse período, os bens não podem ser vendidos e a empresa fica com a sucessão indefinida.
Empresas familiares sem sucessão definida chegam a perder até 20% do seu valor. 91% das empresas familiares brasileiras não têm plano estruturado de sucessão.
Os percentuais variam conforme o estado e a composição do patrimônio. A análise calcula o número do seu caso.
Existe quem recomende holding para qualquer patrimônio. Não é a nossa posição.
Há casos em que uma doação bem estruturada, com as cláusulas certas, resolve, por uma fração do custo. E há casos em que a holding é a única forma de transferir o patrimônio mantendo a administração e os rendimentos vitalícios nas suas mãos.
A resposta certa depende do caso. Por isso o trabalho começa pela análise, não pela estrutura.
Nem todo mundo que procura o escritório está pensando em sucessão. Uma parte procura porque a conta de imposto ficou alta demais, e descobre no processo que a mesma estrutura resolve as duas coisas.
Na pessoa física, até 27,5% hoje, chegando perto de 36% com a reforma tributária implementada, quando quem se enquadra como contribuinte passa a recolher IBS/CBS sobre o aluguel. Em uma estrutura no lucro presumido, a faixa vai de 11% a 14,5% hoje para cerca de 19%. A diferença entre o CPF e a estrutura não diminui com a reforma: ela aumenta.
Desde janeiro de 2026, valores acima de R$ 50 mil mensais por empresa sofrem retenção de 10% na fonte, e rendas anuais acima de R$ 600 mil passaram a ter alíquota mínima de imposto de renda.
Em ambos os casos, a estrutura montada agora resolve a carga tributária de hoje e já nasce pronta para a sucessão de amanhã. Quem organiza cedo transfere um patrimônio menor.
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Mais de 15 anos de atuação, à frente da Marranghello Sociedade de Advogados, com atendimento em todo o Brasil.
Pós-graduada em Direito Público (UniRitter) e em Direito Tributário (IBET), com formação em Engenharia do Planejamento Sucessório.
"Planejar a sucessão é o último grande gesto de cuidado, e o único que você só pode fazer enquanto ainda está aqui."